Segunda, 09 de Março de 2026 12:54
(11) 97588-9546
Internacional Mercosul

O Grande ABC na encruzilhada: o que o acordo Mercosul-UE realmente significa para a região

O Grande ABC, berço do desenvolvimento industrial brasileiro, vive hoje uma mistura de expectativa e apreensão.

14/01/2026 23h25
Por: Portal ABC News Fonte: Rafael Gasques
O Grande ABC na encruzilhada: o que o acordo Mercosul-UE realmente significa para a região

Com o avanço das tratativas entre o Mercosul e a União Europeia, a região que desenhou a classe média trabalhadora do país se vê diante de um espelho: o modelo que nos trouxe até aqui ainda sobrevive em um mercado de fronteiras abertas?

A questão central não é apenas comercial, é de sobrevivência. Por décadas, as montadoras de São Bernardo e São Caetano operaram sob o guarda-chuva de tarifas de importação que chegam a 35%. Esse "muro" tributário, que protege o emprego local mas encarece o produto final, está com os dias contados. O acordo prevê uma abertura gradual, levando essa taxa a zero em 15 anos. Na prática, isso coloca o metalúrgico da Via Anchieta em uma disputa direta de produtividade com as fábricas automatizadas da Alemanha e da França.

Para os sindicatos, o tom é de alerta. Há um receio real de que o Brasil se transforme em um mero fornecedor de matérias-primas e alimentos enquanto o ABC perde sua relevância fabril. Se não houver uma contrapartida que force a transferência de tecnologia para o Brasil — como a fabricação local de componentes para carros elétricos — corremos o risco de ver as plantas da região virarem meros centros de distribuição de veículos importados.

Por outro lado, empresários e setores mais otimistas veem no acordo o "choque de realidade" que o ABC precisa para sair da obsolescência. A queda nos impostos para máquinas e tecnologia de ponta pode ser o oxigênio necessário para modernizar as linhas de produção em Diadema e Mauá. O acesso facilitado a um mercado consumidor de 500 milhões de europeus é uma janela de ouro para indústrias químicas e de ferramentaria que já atingiram o teto de crescimento no Brasil.

O que está em jogo não é apenas o preço do carro na concessionária, mas o futuro do maior polo industrial da América Latina. O ABC tem infraestrutura e mão de obra qualificada, mas falta competitividade sistêmica. Sem investimentos em inovação e uma política industrial que acompanhe a abertura comercial, o acordo Mercosul-UE pode ser tanto o motor de uma nova era tecnológica quanto o capítulo final de uma glória industrial que ficou no passado.

A resposta para esse dilema não virá apenas de Bruxelas ou Brasília, mas da capacidade do ABC de se reinventar enquanto o cronômetro da desoneração tarifária corre.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Rafael R. S. Gasques
Sobre Rafael R. S. Gasques
Rafael é jornalista e produtor editorial. Nesta coluna, análises e reportagens especiais.
Anúncio
São Bernardo do Campo, SP
Atualizado às 12h01
20°
Tempo nublado

Mín. 18° Máx. 24°

21° Sensação
3.6 km/h Vento
96% Umidade do ar
100% (2.29mm) Chance de chuva
Amanhã (10/03)

Mín. 17° Máx. 19°

Chuvas esparsas
Amanhã (11/03)

Mín. 17° Máx. 22°

Chuvas esparsas
Anúncio
Anúncio
Anúncio