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A era de ouro das telas: a trajetória dos cinemas de rua no abc

A história das cidades que compõem o abc paulista está profundamente ligada à evolução de seus cinemas de rua. Durante boa parte do século vinte, essas salas não eram apenas locais de exibição de filmes, mas sim os principais centros de convivência social, moda e debate cultural das comunidades locais.

22/01/2026 13h52
Por: Portal ABC News Fonte: Rafael Gasques
A era de ouro das telas: a trajetória dos cinemas de rua no abc

O surgimento e a expansão

O crescimento dos cinemas de rua no abc acompanhou o desenvolvimento industrial da região. Com a chegada das grandes montadoras e o aumento populacional, as áreas centrais de cidades como Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul viram surgir palácios cinematográficos que rivalizavam em luxo com as salas da capital.

Em Santo André, o cine teatro Carlos Gomes, fundado na década de 1920, tornou-se um marco arquitetônico e cultural. Já em São Bernardo, o cine São Bernardo era o ponto de encontro obrigatório nas tardes de domingo. Esses espaços eram caracterizados por suas fachadas imponentes, em estilos que passavam pelo art déco até o modernismo, e por salas que chegavam a comportar mais de mil espectadores.

O cinema como centro social

Diferente do modelo atual, o cinema de rua possuía uma dinâmica integrada à calçada. As filas dobravam quarteirões e os estabelecimentos vizinhos, como confeitarias e livrarias, viviam em função dos horários das sessões. No abc, era comum que as famílias vestissem suas melhores roupas para as sessões noturnas, transformando o ato de ir ao cinema em um evento solene.

* São Caetano do Sul: Destacou-se com salas como o cine Max, que trazia lançamentos internacionais rapidamente para o público local.

* Mauá e Ribeirão Pires: Também desenvolveram seus circuitos, com salas que atendiam aos operários e suas famílias, criando uma identidade cultural própria fora do eixo principal.

O declínio e a transição para os shoppings

A partir da década de 1980, o modelo dos cinemas de rua começou a sofrer com a crise econômica, a ascensão do home vídeo e, posteriormente, a verticalização das cidades. O aumento da violência urbana e a falta de estacionamento nas áreas centrais empurraram o público para o modelo de complexos em shoppings centers, que ofereciam segurança e múltiplas opções de consumo em um só lugar.

Muitas das antigas salas do abc tiveram destinos melancólicos: foram transformadas em templos religiosos, estacionamentos, farmácias ou simplesmente demolidas. O fechamento dessas salas representou, para muitos historiadores locais, um empobrecimento da vida pública e do acesso democratizado à cultura.

Preservação e memória

Atualmente, existe um esforço de preservação da memória dessas salas. O cine teatro Carlos Gomes, em Santo André, passou por processos de restauro para se manter como um equipamento cultural público, preservando sua função original de fomentar a arte na região.

A história dos cinemas de rua no abc permanece viva nos arquivos municipais e nas lembranças dos moradores mais antigos, que recordam uma época em que a luz do projetor era a principal janela para o mundo dentro das sete cidades.

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