O SUS, apesar de teoricamente exemplar, acumula atrasos na área de órteses e próteses, com tecnologias de 30 a 50 anos atrás e precificação defasada que impede próteses decentes, conforme fala o especialista Ricky Benzing, Protesista e Ortesista, CEO da H3 Clinic em entrevista exclusiva ao Portal ABC News.
“O SUS ainda está prescrevendo próteses com tecnologia de 30, 40, 50 anos atrás, não faz sentido nenhum. Hoje em dia existem novas tecnologias disponíveis para nos ajudar, mas, lamentavelmente, o SUS ficou muito atrasado. Eles não atualizaram a lista, nem nas descrições técnicas, que tratam da função das próteses, nem na precificação. Está tudo muito defasado, o que é muito ruim”, afirma Ricky Benzing, Protesista e Ortesista, CEO da H3 Clinic.
Centros de reabilitação ficam presos a valores baixos, sem condições de fornecer componentes modernos que facilitam a recuperação, e a comparação é impactante. Há 20 anos não havia próteses biônicas que poderiam transformar vidas, e agora o SUS não atualiza lista técnica e nem preços. “Ser amputado no Brasil é "cruel", com 70% dos casos envolvendo jovens motoboys sem seguro ou renda estável, caindo fora do sistema após acidentes e dependendo de benefícios como LOAS ou INSS com salário mínimo, insuficiente para próteses eficazes. PcDs precisam de tecnologias assistivas para independência, mas enfrentam um "faroeste", quem tem dinheiro se reabilita; sem grana, fica à mercê, sem crédito ou bancarização”, revela Ricky Benzing.
“No caso emblemático de Lohanny Souza, jovem de 15 anos, que fez sua reabilitação no ParaInstituto do Banco Digital Parabank, que superou osteosarcoma – câncer ósseo agressivo comum em adolescentes, com amputação acima do joelho e quimioterapia que causou alopecia –, a prótese básica custa R$ 30 mil, mas modelos biônicos ideais chegam a R$ 120 mil, reduzindo quedas e custos a longo prazo, comprovado por estudos nos EUA e Europa”, diz o CEO da H3 Clinic.
“A própria reabilitação com próteses dá um propósito para esses jovens. Quando eles enxergam que podem retomar atividades, conquistar mais autonomia e voltar a sonhar com o futuro, o processo ganha um significado muito maior do que apenas o uso de uma nova tecnologia”, afirma Ricky Benzing, protesista e ortesista, CEO da H3 Clinic.
Próteses biônicas replicam movimentos humanos com eletrônicos à prova d'água e prevenção de quedas, comuns em países com saúde eficiente, onde estudos europeus justificam custo cinco vezes maior pela economia com menos fraturas e retornos ao trabalho; no Brasil, o SUS nega por falta de verba. Ações sociais preenchem lacunas, mas projetos com governo fracassam por burocracia e foco em "bonito" em vez de funcionalidade, psicologia familiar e equipe dedicada, como alerta a especialista, que tentou iniciativa similar sem sucesso.
Avanço das próteses biônicas desafia políticas públicas e expõe atraso do SUS
Especialista aponta que tecnologias biônicas já reduziram quedas e gastos em sistemas de saúde da Europa e dos Estados Unidos, enquanto o Brasil ainda enfrenta barreiras de acesso e falta de investimento em reabilitação
A tecnologia biônica avança rapidamente e já permite que pessoas amputadas retomem movimentos com funcionalidades cada vez mais próximas das de um membro natural. Hoje, já existem versões biônicas para mãos, braços, pernas, pés e joelhos, que ampliam a autonomia e reduzem o risco de quedas durante o uso.
Ricky Benzing, protesista e ortesista, CEO da H3 Clinic, explica que países onde o sistema de saúde é mais estruturado adotam uma visão baseada em cálculo econômico e social. “É uma conta simples: quanto o governo investe na saúde para ter sua população saudável, trabalhando e pagando impostos. Em saúde e reabilitação, tudo passa por planejamento, o investimento retorna ao País quando essas pessoas voltam a produzir”, explica.
Segundo o especialista, o problema começa quando pessoas com deficiência (PcDs) deixam de ser incluídas nesse cálculo. “Muitos governos enxergam o PcD como alguém que não vai gerar impostos, e é aí que nasce a exclusão. Se o governo não entender esse processo como investimento, continuará vendo apenas como gasto”, alerta.
Estudos desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa reforçam essa lógica. As pesquisas, realizadas ao longo de cinco anos e com milhares de participantes, comprovam que o uso de tecnologias biônicas — como joelhos eletrônicos à prova d’água — reduz significativamente o número de quedas, o que diminui também os custos hospitalares decorrentes de fraturas e outras lesões.
“Foi fácil justificar a adoção dessas próteses nesses países, porque os resultados econômicos e sociais são claros. Pacientes bem reabilitados caem menos, vivem com mais autonomia e dependem menos do sistema de saúde”, pontua Benzing.
Embora essa tecnologia já tenha chegado ao Brasil, o acesso ainda é restrito. O custo elevado impede que a maioria dos amputados possa adquirir as próteses por conta própria, e o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não oferece cobertura para esse tipo de equipamento. “O amputado no Brasil não é rico, ele não consegue pagar por uma prótese biônica. O SUS diz que não vale a pena porque custa cinco vezes mais, mas ignora o retorno a longo prazo”, completa.t
ParaInstituto promove reabilitação de PcDs sem apoio do governo e já muda vidas no ABC Paulista
Iniciativa privada idealizada por grupo de empreendedores e profissionais da saúde já reabilitou quatro pessoas e oferece capacitação e empregabilidade a dezenas de participantes
Um grupo formado por empresários e profissionais da saúde deu início a uma iniciativa transformadora voltada à reabilitação de pessoas com deficiência (PcDs) no ABC Paulista. O projeto, denominado ParaInstituto, nasceu da união de esforços de nomes como Gelson Júnior, CEO do Parabank, Renato Leite, cofundador e diretor comercial da empresa, e a equipe da H3 Clinic, entre outros parceiros e amigos.
A proposta surgiu de um projeto que seria realizado em conjunto com o governo, mas que não avançou. Diante das dificuldades encontradas nas políticas públicas, o grupo decidiu seguir com recursos próprios e apoio de doadores. “É uma pena, porque, aqui no Brasil, parece que quanto mais caro for algo, melhor para os políticos. Quanto mais prejuízo, melhor. Isso desanima, pois as políticas públicas são fracas”, desabafa um dos idealizadores.
No ParaInstituto, o objetivo é oferecer reabilitação plena, que inclui próteses em fibra de carbono e capacitação profissional, com custo médio de R$ 25 mil por pessoa. Até o momento, quatro pessoas já foram totalmente reabilitadas e cerca de 30 PcDs participam de programas de empregabilidade.
A captação de recursos é feita por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas. Qualquer pessoa pode tornar-se mantenedora, contribuindo a partir de R$ 100, enquanto empresas podem participar com valores a partir de R$ 500. Assim que a arrecadação para um participante é concluída, o próximo da lista é chamado e inicia-se um novo ciclo de reabilitação.
Os fundadores acreditam que a iniciativa prova que a cooperação entre sociedade civil e setor privado tem potencial para gerar impacto social real, mesmo sem o apoio governamental. “Vimos que, com o governo, as coisas não funcionam bem. Então seguimos por conta própria, e o resultado está aí: pessoas recuperando autonomia e voltando ao mercado de trabalho”, completam os organizadores.
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