No último Carnaval de São Paulo, a G.R.C.S.E.S. Vai-Vai transformou o Sambódromo do Anhembi em uma homenagem viva à história de São Bernardo do Campo. Com enredo que resgatou desde a trajetória industrial até a riqueza cultural da cidade, a escola trouxe para a avenida não apenas cores e ritmos, mas também memória audiovisual.
Um dos destaques emocionantes do desfile foi a menção à Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o estúdio que, nos anos 1950, buscou implantar uma indústria cinematográfica brasileira com padrão técnico internacional. Para o Prof. Antonio de Andrade, especialista em história do rádio e da televisão no Brasil, a homenagem é também um resgate do trabalho muitas vezes invisível do operário e técnico que sustentou o cinema da época:
"Você envolve a família Matarazzo, os diretores, os astros, mas quem fez — a mão de obra, o técnico, o operário — simplesmente você desconhece. Essa integração é importante", destacou Andrade, lembrando que muito do material da Vera Cruz foi saqueado ou perdido, e que esforços recentes têm buscado preservar o patrimônio audiovisual do ABC.
Prof. Antônio de Andrade
O desfile não deixou de dialogar com a produção contemporânea de São Bernardo. Para o cineasta independente Milton Santos Jr., radicado na Vila São Pedro, a experiência de ver sua cidade representada foi quase onírica:
"Um momento mágico. Eu jamais imaginei na minha vida passar por algo assim. Eu estava ali na Escola Vai-Vai, representando São Bernardo do Campo... e vi aquele carro enorme com a Vera Cruz. Fiquei arrepiado. Parabéns São Bernardo, parabéns Vera Cruz e parabéns ao cinema independente", contou o cineasta.
Milton, que já produziu mais de 30 filmes com baixo orçamento, reforça a continuidade de uma tradição local de audiovisual, ainda que feita “na raça”, valorizando talentos e cenários do Grande ABC. Para ele, a homenagem no Carnaval conecta gerações e fortalece a identidade cultural da cidade.
Milton Santos Jr.
O desfile também evidenciou a importância da memória cultural, tema caro a pesquisadores como Andrade. Ele ressalta que a preservação de espaços e acervos, como o próprio estúdio Vera Cruz, é essencial para que São Bernardo não perca a história do trabalhador e do cinema local:
"Um país que não tem memória não conhece o passado e não vai conhecer o futuro. Hoje há uma consciência da importância da memória, e movimentos como o Festival de Cinema de São Bernardo ajudam a manter viva essa história", afirmou.
Entre alegorias, passistas e ritmistas, a Vai-Vai mostrou que o samba também pode ser instrumento de educação e memória cultural. Ao levar a cidade, o cinema e seus protagonistas para a avenida, a escola de samba reforçou que a história do ABC Paulista não está apenas nos livros ou nas fábricas, mas também nas cores, sons e emoção de quem transforma cultura em espetáculo.

Transporte Público Prefeitura de SBC estuda implementação da tarifa zero
Educação Programa Educa Mais Saúde garante bolsas e formação para estudantes em São Bernardo
Futebol Joia do EC São Bernardo acerta primeiro contrato profissional com o Palmeiras
Futebol EC São Bernardo goleia e se mantém no G-8 da Série A3 
Mín. 18° Máx. 24°
Mín. 17° Máx. 19°
Chuvas esparsasMín. 17° Máx. 22°
Chuvas esparsas

