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Milton Bigucci: memória e legado

A trajetória de Milton Bigucci é a prova de que trabalho, valores e compromisso constroem não apenas edifícios, mas um legado que transforma cidades e gerações.

25/02/2026 19h18 Atualizada há 2 semanas
Por: Portal ABC News Fonte: Rafael Gasques
Milton Bigucci: memória e legado

A história de Milton Bigucci não começa com prédios altos nem grandes empreendimentos. Começa com uma vassoura nas mãos de um menino de nove anos, no bairro do Ipiranga. Filho de carpinteiro e costureira, ele aprendeu cedo que dignidade se constrói todos os dias — com trabalho, disciplina e palavra cumprida.

Nascido em 19 de dezembro de 1941, descendente de imigrantes italianos e espanhóis, Milton transformou origem simples em propósito de vida. Antes de se tornar empresário, foi office-boy, arquivista, auxiliar de almoxarifado, auditor, gerente administrativo. Passou pela Mercedes-Benz, dedicou mais de duas décadas à Construtora Itapuã e, em 7 de outubro de 1983, decidiu dar um passo que mudaria sua trajetória: fundou a MBigucci, em São Bernardo do Campo, ao lado da esposa, Sueli.

Não foi uma jornada sem tropeços. A primeira obra, o Edifício Gláucia, sofreu os impactos do Plano Cruzado e trouxe prejuízo. Poderia ter sido o fim. Mas foi ali que nasceu a reputação que sustenta a empresa até hoje: honrar compromissos, entregar no prazo, respeitar clientes e parceiros — mesmo quando o cenário é adverso.

Quatro décadas depois, a MBigucci se consolidou como uma das maiores construtoras do Grande ABC e do Estado de São Paulo. São mais de 470 empreendimentos, cerca de 12 mil unidades entregues e mais de 1,3 milhão de metros quadrados construídos. Números que impressionam — mas que, para Milton, significam algo maior: famílias com casa própria, histórias recomeçando, sonhos ganhando endereço.

Premiada quatro vezes como “Melhor Construtora Imobiliária do Brasil” pela revista IstoÉ Dinheiro, a empresa carrega uma marca rara no mercado: solidez sem histórico de dívidas e atuação exclusiva na iniciativa privada. Cresceu com os próprios passos, sustentada por planejamento, austeridade e visão de longo prazo.

Muito antes de ESG virar sigla corporativa, a MBigucci já falava em responsabilidade. Implantou auditorias internas, certificações de qualidade, práticas ambientais e cultura de eficiência. Mas, para Milton, o verdadeiro patrimônio nunca foi o concreto — sempre foram as pessoas. Ele costuma dizer que empresa forte é aquela que valoriza sua equipe como família e entende que lucro e responsabilidade social caminham juntos.

E caminham mesmo. Em 1981, participou da fundação do Lar Escola Pequeno Leão, em São Bernardo do Campo, instituição que já acolheu mais de mil crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Também esteve à frente do CAMPI, ajudando jovens a ingressarem no mercado de trabalho. Para ele, construir prédios é importante. Construir oportunidades é essencial.

Conselheiro vitalício da ACIGABC e integrante do conselho consultivo do Secovi-SP, Milton sempre entendeu que desenvolvimento é coletivo. Nenhuma empresa cresce sozinha. Nenhuma cidade prospera sem união.

Casado há mais de cinco décadas, pai, avô e bisavô, vê na família sua maior obra. A segunda geração assumiu posições de liderança na empresa; a terceira já começa a trilhar o mesmo caminho. O legado não está apenas nos edifícios, mas nos valores transmitidos.

Aos fins de semana, troca o terno pela camisa 10 no tradicional Clube Atletico Ypiranga. O futebol, diz ele, ensina estratégia, disciplina e, sobretudo, relacionamento — habilidade que considera central tanto nos negócios quanto na vida.

Homem de fé, costuma afirmar que conversa com Deus diariamente. Não como ritual, mas como direção. Acredita que desistir no primeiro obstáculo é o maior erro de quem sonha grande. Persistência, para ele, não é teimosia — é convicção.

Hoje, após mais de 60 anos de trajetória profissional, Milton Bigucci segue ativo. Rejeita a palavra aposentadoria. Para ele, enquanto houver energia para gerar empregos, apoiar causas sociais e contribuir para o desenvolvimento do país, há trabalho a fazer.

Milton construiu prédios. Construiu bairros. Construiu uma marca respeitada.
Mas, acima de tudo, construiu um exemplo.

E seu legado continua em movimento — porque, para quem acredita que construir é um ato de fé, cada novo dia é também um novo alicerce.

2 comentários
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ROBERTAHá 2 semanas São Bernardo do Campoexcelente materia
Rita Santos Há 2 semanas São Bernardo do Campo, SP Parabéns Rafael Gasques por tamanha sensibilidade neste texto, traduziu à altura o legado de Milton Bigucci, há 65 anos na construção civil. Grata ao ABC NEWS pela oportunidade em compartilhar um pouco desta importante história.
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Rafael R. S. Gasques
Sobre Rafael R. S. Gasques
Rafael é jornalista e produtor editorial. Nesta coluna, análises e reportagens especiais.
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