A campanha Fevereiro Roxo amplia, em todo o país, o debate sobre doenças crônicas sem cura, mas com possibilidade de controle clínico, como Alzheimer, fibromialgia e lúpus. A mobilização reúne entidades de saúde, instituições de ensino e indústria farmacêutica para reforçar a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e da adesão terapêutica. Nos últimos anos, além do avanço no cuidado clínico, pacientes com fibromialgia também passaram a contar com reconhecimento legal como pessoa com deficiência (PcD) para efeitos de direitos, o que ampliou o acesso a benefícios e políticas públicas.
Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indicam que a fibromialgia atinge cerca de 2% a 3% da população brasileira, com maior prevalência em mulheres. Já as estimativas epidemiológicas usadas pelo Ministério da Saúde apontam que o Alzheimer é a causa mais comum de demência, representando de 60% a 70% dos casos no mundo. Em relação ao lúpus, estudos clínicos nacionais trabalham com média de 20 a 70 casos por 100 mil habitantes, variando conforme a região e o perfil populacional.
Levantamento publicado em 2025 pela plataforma internacional Global Burden of Disease, ligada ao Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), mostrou crescimento dos anos vividos com incapacidade associados à dor crônica e transtornos neurológicos na última década, o que inclui condições como fibromialgia e demências. Os dados são usados como referência por gestores de saúde para planejamento de políticas públicas e linhas de cuidado.
Para Magali Tamas, supervisora de Treinamentos do Laboratório Teuto e farmacêutica, campanhas de conscientização ajudam a reduzir o atraso no diagnóstico e o abandono de tratamento. "O projeto amplia o acesso à informação e orienta o paciente a procurar avaliação profissional. No caso da fibromialgia, por exemplo, o reconhecimento recente como deficiência para fins legais também contribui para que mais pessoas busquem acompanhamento e garantam seus direitos", afirma.
Segundo a farmacêutica, o tratamento dessas doenças envolve abordagem multiprofissional e uso correto de medicamentos quando indicados. "São condições que exigem seguimento contínuo. O uso racional de medicamentos, com prescrição e acompanhamento, contribui para o controle de sintomas, funcionalidade e qualidade de vida. Informação correta e adesão ao tratamento fazem diferença no resultado terapêutico", diz Magali.
Ela também ressalta que o acesso ampliado a terapias é parte do avanço observado nos últimos anos. "Com mais opções terapêuticas disponíveis, inclusive genéricos, o paciente consegue manter o tratamento por mais tempo. Isso impacta diretamente no controle de dor, cognição e sintomas associados, reduzindo interrupções", explica.
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