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“Aquilo que não me matou só me deixou mais forte”: pastor que sobreviveu a cinco cirurgias lança livro em Diadema 

Willian Martins enfrentou câncer de intestino em estágio avançado, septicemia, falência renal e hemodiálise — e saiu do Hospital Municipal de Diadema com menos de 50 kg; médicos e equipe de enfermagem que participaram do tratamento chamam a recuperação de milagre, e a história virou livro lançado para mais de 500 pessoas na igreja do bairro Canhema 

19/10/2026 16h01 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Portal ABC News Fonte: Elias Lubaque
Pastor Willian Martins: “O objetivo é que as pessoas nunca coloquem um ponto final na própria vida”. Fotos: Fabiana Ferreira de Camargo
Pastor Willian Martins: “O objetivo é que as pessoas nunca coloquem um ponto final na própria vida”. Fotos: Fabiana Ferreira de Camargo
 

A história do pastor Willian Martins começou em setembro de 2025, com uma entrada de rotina no hospital para um exame e logo com a primeira cirurgia. Terminou, cinco meses depois, com uma alta que os próprios médicos classificam como milagre — e, neste mês, com um livro. Na noite de sábado (17/10), mais de 500 pessoas lotaram o Ministério da Vida Eterna Church que tem na direção o Bispo Hélio e Bispa Zélia, no bairro Canhema, em Diadema e igreja O Toque de Cristo da qual Willian Martins é presidente, para o lançamento de "Aquilo que não me matou só me deixou mais forte – quando a vida fica por um fio", após um culto de louvores em gratidão pela recuperação. Onde estiveram médicos que participaram do processso de Willian Martins e a equpe da UTI, 7º andar, lado A e B.  

O relato clínico foi feito pelo Dr. José Roberto Marson Dente, um dos médicos que participaram do tratamento. Segundo ele, Willian deu entrada no Hospital Municipal de Diadema com um quadro de abdômen agudo obstrutivo: um câncer na região sigmoide, em estágio avançado, que já impedia a passagem das fezes. 

"Ele internou num dia e, no dia seguinte, sofreu a primeira cirurgia. Nela, foi retirado todo o cólon, todo o intestino grosso do William, e também o rim do lado esquerdo, que se achava comprometido pela doença", relatou o médico. 

A primeira cirurgia teve boa evolução e Willian chegou a receber alta. Mas, cerca de cinco a sete dias depois, foi reinternado com pneumonia e derrame pleural no pulmão esquerdo. Foi feita drenagem de tórax e iniciada antibioticoterapia intravenosa. Nesse período, surgiu a suspeita de um trauma no baço, que rompeu o órgão e provocou um sangramento importante. Uma tomografia confirmou o quadro — e uma cirurgia de emergência removeu o baço. 

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Dr. José Roberto Marson Dente e Pastor Willian Martins 

No pós-operatório, Willian passou um período considerável na UTI. Ao receber alta para a enfermaria, apresentou infecção abdominal: Vou eshavia pus no local da retirada do baço. Veio a quarta cirurgia, para drenagem da secreção. De volta à UTI, permaneceu entubado, em ventilação mecânica e sedado — até que a infecção se generalizou. 

"Foi septicemia. Houve falência do rim: ele já havia perdido o rim esquerdo, e o rim direito entrou em falência. Ele precisou iniciar um programa de hemodiálise", contou o Dr. José Roberto. Veio então a quinta cirurgia, para fechar o intestino que havia aberto e motivado a infecção. 

Ao todo, a hospitalização durou cerca de cinco meses. "Ele saiu do hospital com menos de 50 kg, completamente emagrecido e desnutrido, com uma perda de massa muscular importante — um processo chamado sarcopenia", relatou o médico, que decidiu continuar o acompanhamento após a alta. "E o resultado vocês estão vendo aqui". 

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"Para mim só pode ser milagre" 

Para o Dr. Josepf Kunihiro, que também integrou a equipe, não há outra explicação. Ele conta que recebeu Willian já operado pela Dra. Rossana Campos, que retirou grande parte do intestino em uma cirurgia de alto risco — o tumor já invadia rim, estômago e parede abdominal. 

"Depois da cirurgia, ele evoluiu com várias complicações: parte respiratória, depois infecção, depois sangramento em um vaso, que tivemos que operar. E ainda uma infecção no cateter, que levou um tempão para resolver. O rim dele parou de funcionar e quase voltou para a diálise", relembrou. 

O mécio dr. Joseph  Kunihiro 

O quadro piorava mesmo com a troca de antibióticos. "Eu via que ele ia definhando, emagrecendo, perdendo cabelo, perdendo a força. Chegou no momento em que eu falei: 'não sei não, eu acho que nós vamos perder esse paciente'. Mas, de repente, um dia a Dra. Rossana falou: 'sabe aquele paciente chamado William? Eu dei alta para ele”, recordou o médico. 

Meses depois, ao reencontrá-lo recuperado e ganhando peso, Kunihiro o levou para visitar o hospital — a UTI, os andares por onde passou. Na ocasião, Willian ainda mancava por uma lesão no membro inferior. "Depois de algum tempo, vi que ele não mancava mais. Ele levantou a camisa e falou: 'você viu? Você lembra disso?' Tudo cicatrizado, onde saía pus, fechadinho. Aí falei: só pode ser milagre mesmo", disse. 

Questionado sobre a relação entre fé e medicina, o Dr. José Roberto foi direto: "Eu não posso responder pelos outros profissionais, respondo à minha consciência. Tenho plena convicção de que eu não curo e não trato ninguém. Eu sou apenas um instrumento". 

O "porquê" virou "para quê" 

Nos leitos de cuidados intensivos, o cuidado também foi espiritual. A técnica em enfermagem Juscilene Cristina, que acompanhou todos os pós-operatórios, conta que orava pelo pastor enquanto ele estava sedado — e que, quando ele despertava, os dois trocavam testemunhos para fortalecer a fé dele. 

O momento que marcou veio na terceira internação na UTI. Juscilene chegou ao plantão e encontrou Willian cabisbaixo, entristecido, em revolta. Ele questionava a Deus o porquê de tanto sofrimento — ele, que tinha um ministério de cura na própria igreja. 

A técnica em enfermagem Juscilene Cristina 

"Falei: Pastor Willian, a partir de hoje você não vai perguntar o porquê, e sim o para quê. Até hoje você era usado para curar pessoas. Hoje Deus permite que você viva o seu próprio testemunho. Eu creio que você vai sair daqui. Nós vamos orar e Deus vai fazer um milagre", relatou. 

E completou, apontando para fora do quarto: "Você está aqui sozinho conosco, mas já tem uma igreja em pé orando por você lá fora. Quantas pessoas que estavam fracas, sem forças, hoje encontram força para orar pela sua vida". 

No dia a dia, Willian pedia que ela cantasse louvores no quarto — muitas vezes impossível no meio da correria do plantão. "Mas quando Deus te chama para o cuidado, ele chama por completo: cuidado físico e espiritual também", resume Juscilene, orgulhosa de ter vivido "essa história com final feliz". 

O isolamento que virou acolhimento 

A enfermeira coordenadora Lilia Gomes – da equipe UTI, 7º andar, lado A e B, recebeu o paciente sem saber quem era — foi uma técnica da equipe quem perguntou: "Chefe, o pastor Willian tá aí com você?". Ao ir se apresentar, encontrou um paciente falante. "E aí começou a nossa história", conta. 

Para ela, o período mais delicado foi o quarto de isolamento. "Foi muito assustador, porque aí você fica só: você, seus pensamentos e a sua fé", descreveu. A resposta da equipe foi mudar a dinâmica: a família passou a ser acolhida como acompanhante, e a enfermagem pôde entrar com paramentação, avental e máscara para falar e cuidar. 

Enfermeira coordenadora Lilia Gomes 

"Falei: isolado de outros pacientes não quer dizer isolado do mundo. E toda vez que eu entrava no quarto, eu falava: se alimente na fé, Deus está provando você. A gente passa uma fase, e essa fase tem que ser passada", disse Lilia. "Graças a Deus, hoje estamos aqui para ele dar esse depoimento de que a fase passou. Pela honra e glória de Deus, estamos curados". 

O testemunho do pastor 

No culto de lançamento, Willian contou que nunca imaginou passar por aquilo. "Nem nos meus piores pesadelos eu imaginava. Mas pude ver de perto uma equipe de médicos preparada e o poder de Deus sendo manifestado", disse. Ele lembra que foi ao hospital apenas para levar um exame — e não se despediu dos pais e da esposa, sem saber que poderia nunca mais abraçá-los. 

Para a pergunta que sempre recebe — "Deus te usa tanto em cura, por que você passou por isso?" —, ele tem resposta pronta: "Da mesma forma que Deus permitiu Daniel entrar na cova dos leões, foi o mesmo Deus que permitiu ele sair. O mesmo Deus que me permitiu entrar naquele hospital foi o mesmo que me permitiu sair". 

O William de 2026, como se define, é outro: vive o hoje, não adia o amanhã. "Se eu tiver que amar, eu amo hoje. Se eu tiver que valorizar, eu valorizo hoje. Porque o amanhã pode ser muito tarde". 

O livro, diz ele, nasceu para ir além da superação. Durante a internação, ele mandou registrar em imagens cada etapa da travessia — "até o vale da sombra da morte está tudo registrado" — porque queria provar que "não existe ponto final, existe vírgula". Como pastor, ele vê muitas pessoas em depressão, opressão e síndrome do pânico — e conta que, dias antes do lançamento, uma pessoa em crise suicida chorou ao ouvir sua história. 

"O objetivo é que as pessoas nunca coloquem um ponto final na própria vida. Depois de tudo que eu passei, isso não foi motivo para eu parar — foi motivo para me motivar ainda mais a levar essa mensagem". 

"Foram os dias mais difíceis da minha vida. Ver o meu esposo, o pastor Willian, lutando entre a vida e a morte na UTI, passando por cinco

Pastora Marcia Martins e pastor Willian Martins 

"Foram os dias mais difíceis da minha vida. Ver o meu esposo, o pastor Willian, lutando entre a vida e a morte na UTI, passando por cinco cirurgias, entubado, sedado, sem saber se ele voltaria para casa, foi um sofrimento que só quem vive entende. Mas em meio à dor, Deus sustentou a nossa família. Eu me agarrei na promessa de que aquilo não era o fim, e vi a igreja inteira se unindo em oração por ele. Quando ele recebeu alta, com menos de 50 quilos, eu sabia que aquele era um milagre de Deus. E agora, ver a história dele contada no livro 'Aquilo que não me matou só me deixou mais forte', diante de mais de 500 pessoas no lançamento, é a prova de que Deus escreve certo por linhas tortas. Cada lágrima derramada naquele hospital se transformou em testemunho de fé e esperança. Sou grata a Deus, à equipe médica e a todos que oraram por nós — porque o que vivemos não foi apenas uma recuperação, foi um milagre", agradece a Deus pela vida do marido, a pastora Marcia Martins. 

 

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